NOVO ANO .Não prometa nada.



POEMA EM LINHA RETA
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
...
                                                              
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 
...
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 
 

Por que prometer algo a si na virada de ano?Melhor é assumir-se e, aos poucos ,ir aprendendo com seus erros,talhando-se na própria superação.Por que se preocupar com o olhar altivo,repressor,intimidante de outros se o que o outro pensa a seu respeito não está na sua esfera de pensamento,mas dele,do outro.(Arthur Schopenhauer).O poema acima,de Fernando Pessoa,  é recitado pela personagem Luiza no livro Retalhos de Almas da escritora Sena Siqueira.A personagem se sente um peixe fora da água e então recita este poema.Quantos de nós já não nos sentimos assim?
Acostume-se .É assim que a vida funciona.Vivemos na chamada Pós-Modernidade.Época de  individualidade,consumismo,do relativo,da informação e massificação.Então a maioria das pessoas não estão nem preocupadas com o próximo,com o que você sente,passa,sofre ou não sofre.No entanto há,ainda,espaço para espiritos livres.Aquele que faz a sua parte lutando por uma sociedade melhor,equilibrada,onde a injustiça é mínima.Como disse em outra postagem devemos lutar para que o futuro seja sempre melhor do que o hoje.E tem sido.Há fome,há,mas muito menos do que há cinquenta anos atrás.Há miséria,há,mas muito menos.Tem melhorado,mas se não cuidarmos do individuo pode piorar.Como tem sido a educação de nossos filhos em família?Como tem sido a educação escolar?O que ensinamos aos nossos jovens a cada dia.  Como já disseram  "As palavras convencem,mas só os exemplos arrastam".
Estamos tão preocupados em ter e mostrar que nos esquecemos dos que estão se desenvolvendo à nossa sombra,as crianças.Esforçamo-nos por agradar as pessoas,a mostrar que fazemos parte do grupo, de lhe dizer que compartilhamos os mesmos gostos e desejos e que somos iguais a eles.Não somos iguais.Cada homem é uma existência unica pelas características que lhe são inerentes e intransferíveis.Quando agradamos a todos negamos a nós o direito de objetar, de se posicionar ,de se fazer crescer como individuo,seremos exemplos do mesmo,congelamos a  mudança ,delegamos a outros a função de pensar e agir por nós.
Por fim um trecho de um sermão do célebre Pe.Antônio Vieira : Memento homo,quia pulvis es,et in pulverem reverteris,lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar.Naquelas sepulturas,ou abertas,ou cerradas,o estão vendo os olhos.Que dizem aquelas letras?Que cobrem aquelas pedras?As letras dizem pó, as pedras cobrem pó,e tudo o que ali há,é o nada que havemos de ser: Tudo pó.
         
Feliz novo ano

NATAL PENSANTE



Natal, período onde a cristandade procura ter o mínimo de sensibilidade e uma ligeira reflexão interior. Alguns culpam o individualismo, mas me pergunto o que fizeram as grandes massificações ideológicas?Relembremos a Alemanha nazista, a Rússia Stalinista, o Terror cambojano, A guerra dos Balcãs,o terror islâmico. Esses são apenas os mais divulgados. Não creio que o problema seja apenas o individuo. É o individuo e o coletivo, é o homem amplificado em sociedade, como disse o Sábio Tagori “OS HOMENS SÃO CRUÉIS, MAS O HOMEM É BOM.” O problema do individualismo é auto referência e a impossibilidade de agregar e contrabalançar o seu eu com o outro. Então cada sujeito é um deus para si, corroborado ainda pelo mercado e pela mídia, e que vê no outro apenas um concorrente a ser superado.
Não sou pregador do “amai-vos uns aos outros”, é impossível, mas ao menos o do respeite-se uns aos outros. Respeite o direito alheio,seja cordial no trânsito ,respeite o seu lugar no trânsito, respeite o direito dos mais velhos. Não meta a mão no dinheiro público. Construa cada um a cidadania através do respeito ao outro, respeito ao direito alheio.
No mais , nobres amigos, devemos pensar na brevidade da vida e o que podemos construir de positivo para que nossos descendentes possam nos perpetuar através do que deixamos.Rui Barbosa na célebre mensagem aos moços coloca “Para o coração,pois,não há passado,nem futuro,nem ausência,pretérito e porvir,tudo lhe é atualidade,tudo presença.Mas presença animada e vivente,palpitante e criadora,neste regaço interior,onde os mortos renascem,prenascem os vindoiros, e os distanciosos se ajuntam ,ao influxo de um talismã, pelo qual, nesse mágico microcosmo de maravilhas, encerrado na breve arca de um peito humano, cabe, em evocações de cada instante, a humanidade toda e a mesma eternidade.” Nascer e morrer,o início e o fim,ligados pelo liame VIDA.Esta que tanto maltratamos,ao contrário do que pensam alguns,e que nos é tão cara.Vivamos não apenas em nós,mas nos outros ,nos que virão e nos que se foram.
Para encerrar leiamos este lindo poema de Cecília Meireles,NOTURNO.Uma brilhante inspiração para pensar o homem,o ser,o outro ,nós,a vida.
Feliz natal.
   
Noturno
 

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?
E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
 

Que vale o pensamento humano,
esforçado e vencido,
na turbulência das horas?
 

Que valem a conversa apenas murmurada,
a erma ternura, os delicados adeuses?
 

Que valem as pálpebras da tímida esperança,
orvalhadas de trêmulo sal?
 

O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,
no profundo diagrama.
 

E o homem tão inutilmente pensante e pensando
só tem a tristeza para distingui-lo.
 

Porque havia nas úmidas paragens
animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:
grandes como pórticos, suaves como veludo,
mas sem lembranças históricas,
sem compromissos de viver
.
 

Grandes animais sem passado, sem antecedentes,
puros e límpidos,
apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos
e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas
e na seda longa das crinas desfraldadas.
 

Mas a noite desmanchava-se no oriente,
cheia de flores amarelas e vermelhas.
E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,
erguiam no ar a vigorosa cabeça,
e começavam a puxar as imensas rodas do dia.
 

Ah! o despertar dos animais no vasto campo!
Este sair do sono, este continuar da vida!
O caminho que vai das pastagens etéreas da noite
ao claro dia da humana vassalagem!

 

 Cecília Meireles

ADM. TAGUATINGA OU CASTELO DE AREIA.


ESTACIONAMENTO DA CNF 01
ADM.NÃO FAZ PODAS,MORADORES SIM.





A administração de Taguatinga é uma farsa. Seu administrador,um tal de Gilvando Galdino,fantoche do deputado Benedito Domingos(PP),é uma falastrão profissional.Só aparece em público e na imprensa para propalar frases ao vento.O que há de verdadeiro é que a administração de Taguatinga e suas ações se limitam a atuações mínimas e mal feitas .Um exemplo é que em todo o 1º semestre de 2009 foi solicitado à administração de Taguatinga a poda das árvores situadas na CNF 1 em frente ao estacionamento do Ed.Praiamar. A  administração enviou alguns homens para realizar uma medíocre poda,cortaram alguns arbustos.Por este motivo foi solicitada nova poda.Cansados do descaso do medíocre administrador fantoche,a síndica do condomínio contratou uma empresa particular para realizar a poda.A poda é necessária?Sim porque durante as noites de funcionamento de quiosques e bares os marginais,que infestam como baratas o local,aproveitam a escuridão para realizarem tráfico de entorpecentes,os usuários também se aproveitam da escuridão para satisfazerem sua ânsia.Detalhe na praça há um posto policial,na verdade um enfeite.    
A melhor solução para o castelo de areia chamado administração regional de Taguatinga é derrubá-lo e ampliar a praça do centro de Taguatinga.A população ficaria agradecida.  
O conselho comunitário de Taguatinga é outra graça.Na última reunião que aconteceu no dia 02 de dezembro de 2009 o que se vislumbrou foi um total descaso.O administrador fantoche não compareceu e mandou outro inepto em seu lugar.Este,por sua vez,chegou atrasado,mascando chiclete e com cara de desdém com os reclamantes(a população)que lá esteve.O conselho ao que pude perceber vive um momento de guerra entre seus membros. O que fazer?A quem recorrer?Com certeza não é à administração regional de Taguatinga.(Castelo de Areia).Gosto da minha cidade, que completou este ano, 51 anos,mas detesto o Castelo de Areia que tem servido,a cada novo governo,de palco para  fantoches,marionetes e palhaços.
Segundo Silva(2001) Os serviços da administração são necessários em todas as atividades de todas as organizações e têm as seguintes características:
1-a administração é propositada-complementação de atividades com outras pessoas e por elas. Com o suso adequado dos recursos disponíveis;
2- a administração é concernente com idéias,coisas e pessoas-orientação de metas e foco na ação para alcance dos resultados administrativos/gerenciais;
3-a administração é processo social- processo em que as ações administrativas são principalmente atinentes com as relações entre pessoas;
4- a administração é um processo composto- pelas funções(planejamento,organização, direção e controle) que não podem ser desempenhadas independentemente; a realização de cada uma delas interfere nas demais;
Então vê-se que administrar não é apenas falar,aparecer,sorrir e ouvir.É um processo que envolve toda a organização,no caso a administração pública,em conjunto com a comunidade.E o que vemos?ações unilaterais e inócuas.Basta!Derrubem o castelo de areia.Queremos uma administração real,profissional e  atuante. 


Roner Gama

Hit parade natalino em Brasília

Hit parade natalino em Brasília

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Racismo:a desconstrução da cidadania

O racismo é o meio mais abjeto de demonstrar a não aceitação do outro.Li abismado ,nos jornais de domingo, que   três estudantes de medicina agrediram física e moralmente, no sábado pela manhã ,um senhor de 55 anos .Segundo a imprensa os jovens o agrediram com um tapete enquanto o chamavam de negro.Tal fato se deu na cidade de Ribeirão Preto,interior de São Paulo.
Há poucos dias vimos também o caso de uma jovem que foi vilipendiada dentro de uma faculdade por causa de um vestido sensual.
Observe-se nos dois casos que foram fatos envolvendo jovens universitários.Aí me pergunto:O que tem sido ensinado a esses jovens em casa e nas universidades?Com certeza está longe de ser a cidadania.Os ensinamentos familiares e escolares se complementam.Falta um e outro.Se não houve a devida atenção em casa em cima de valores mínimos de respeito e aceitação ao próximo dificilmente a escola poderá convencê-lo do contrário.Uma frase de Coelho Neto nos revela o que herdamos dos nossos pais  :É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.
A escola pós moderna não mudará  conceitos enraizados porque ela é formada,muitas das vezes, por pessoas com a mesma distorção  em sua formação.Em nosso país tem-se confundido educação com diploma.Ter um diploma não significa necessariamente que houve uma boa educação.Tal fato é corroborado pela atuação infame de nossos jovens nos recentes atos de preconceitos contra uma mulher e um homem de pele negra.
Duvido que essas milhares de faculdades espalhadas pelo país tenham um minimo de preocupação com a formação humanística desses jovens.Há muito que o ensino da filosofia tem sido relegado a segundo plano.A literatura é vista como um fardo.A escola e a família devem levar o jovem a construir,sobre os antigos pilares,uma sociedade mais justa ou no mínimo melhor do que a geração anterior.Mas , infelizmente ,o que se vê é o apogeu da violência e incultura.
Deixo aos meus leitores o poema açúcar do poeta Ferreira Gullar  para que reflitam sobre a condição do "outro".

O Açúcar (Ferreira Gullar)
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.
Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.
Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS






10 DE DEZEMBRO
DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

Comemoremos com júbilo o dia de hoje.Nos ,agentes estatais ,reflitamos sobre nossas ações junto as comunidades a que servimos.O agente detentor do poder coercitivo estatal deve zelar,primordialmente pela garantia da dignidade da pessoa humana e a cidadania,fundamentos PÉTREOS , invioláveis pelo estado e seus agentes.O agente estatal deve ser o garantidor e mantenedor desses fundamentos e dos direitos e garantias fundamentais que protegem o HOMEM e o cidadão.Exalto os colegas a participarem e interagirem com a população e a comunidade na construção  de um Estado Democrático de direito onde as diferenças,crenças e opiniões  sejam respeitadas.Infelizmente ainda prevalece em muitas instituições policiais uma cultura militarizada e voltada para o conflito como resolução do conflito.No entanto vislumbra-se algumas ações,engendradas pelo Governo  Federal,a partir do Ministério da Justiça,que tem como escopo a mudança dessa cultura e a construção da cidadania a partir de ações integradas entre os diversos orgãos que compõe  o sistema policial,juridico e a população.O carro chefe dessa nova politica para a segurança pública é  o Pronasci,vejamos:
Desenvolvido pelo Ministério da Justiça, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) marca uma iniciativa inédita no enfrentamento à criminalidade no país. O projeto articula políticas de segurança com ações sociais; prioriza a prevenção e busca atingir as causas que levam à violência, sem abrir mão das estratégias de ordenamento social e segurança pública.
Entre os principais eixos do Pronasci destacam-se a valorização dos profissionais de segurança pública; a reestruturação do sistema penitenciário; o combate à corrupção policial e o envolvimento da comunidade na prevenção da violência. Para o desenvolvimento do Programa, o governo federal investirá R$ 6,707 bilhões até o fim de 2012.
Além dos profissionais de segurança pública, o Pronasci tem também como público-alvo jovens de 15 a 24 anos à beira da criminalidade, que se encontram ou já estiveram em conflito com a lei; presos ou egressos do sistema prisional; e ainda os reservistas, passíveis de serem atraídos pelo crime organizado em função do aprendizado em manejo de armas adquirido durante o serviço.Disponível em :




"Por mais desvairada, ou corrompida que uma geração corra ao precipício, os exemplos salutares sempre se lhe gravam na lembrança."(Rabêlo da Silva)


Att,


Roner  S Gama





Declaração Universal dos Direitos Humanos
Dez de dezembro é dia de vigília pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de um jeito decidido, lindo e leve, que permita que seu texto esteja pousado em muitas partes
Por Roseli Fischmann
Comemora-se no dia 10 de dezembro a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em 1948. É constituída de trinta artigos, precedidos de um prólogo belíssimo e inspirador. Apresenta-se como um ‘‘ideal comum’’ a ser perseguido pela humanidade. Tem sido muito falada e é pouco conhecida.
No Brasil recebeu popularização às avessas, sendo sobretudo identificada com padrões estereotipados, preconceituosos, na famosa e deletéria identificação dos direitos humanos com ‘‘direitos de bandidos’’. Obra de políticos inescrupulosos que exploram o medo da população e a facilidade que um tratamento maniqueísta oferece, esse estigma tem sido um desserviço ao Brasil e aos brasileiros. É urgente mudar semelhante padrão.
Mas do que trata a Declaração Universal dos Direitos Humanos? É indispensável ser lida na íntegra. Para militantes e profissionais da área do Direito, marcados por sua formação e atuação, conhecimento histórico e exegético das matérias, sua leitura é diferenciada. Contudo, o que poderia ser chamado, do ponto de vista técnico, de ‘‘despreparo’’ não só não é impeditivo da leitura, como, ao contrário, mais ainda a recomenda.
Ao coordenar a elaboração do Manual Direitos Humanos no Cotidiano, da então Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Unesco e USP, em 1997 e 1998, a pedido de José Gregori, atual ministro da Justiça, efetivamos cada um dos artigos da declaração como um capítulo, todos com a mesma estrutura. Na seção ‘‘o olhar de’’, um artista das artes visuais demonstra que sensibilidade e estética têm papel específico e indispensável a desempenhar na transformação da sociedade e do ser humano. Esse entendimento reafirma-se no tratamento iconográfico do manual, visibilizando trabalhos desenvolvidos por indivíduos e organizações da sociedade civil, lembrando que a luta em prol dos direitos humanos é antiga em nosso país.




Comemora-se quinta-feira o Dia Internacional dos Direitos Humanos -

Luanda  – Comemora-se quinta-feira, 10 de  Dezembro, o  Dia Internacional dos Direitos Humanos, data em que foi aprovada, em 1948, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Por ser o primeiro documento internacional que afirma a universalidade dos direitos fundamentais e a igualdade entre todos os seres humanos, a declaração é considerada um marco para a protecção e respeito dos direitos humanos.


Por esse motivo, a data da sua criação foi estipulada, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional dos Direitos Humanos.


A Declaração nasceu em resposta à barbárie praticada pelo nazismo contra judeus, comunistas, ciganos e homossexuais e também às bombas atómicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagazaki (Japão), matando milhares de inocentes.
 



Os direitos humanos são os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos. Normalmente o conceito de direitos humanos tem a ideia também de liberdade de pensamento e de expressão, e a igualdade perante a lei.



A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade


A ideia de direitos humanos tem origem no conceito filosófico de direitos naturais que seriam atribuídos por Deus, mas alguns sustentam que não haveria nenhuma diferença entre os direitos humanos e os direitos naturais e vêem na distinta nomenclatura etiquetas para uma mesma ideia.



Outros argumentam ser necessário manter os termos separados para eliminar a associação com características normalmente relacionadas com os direitos naturais.


Muitas declarações de direitos humanos, emitidas por organizações internacionais regionais, põem um acento maior ou menor no aspecto cultural e dão mais importância a determinados direitos, de acordo com sua trajectória histórica.


A Organização da Unidade Africana proclamou em 1981 a Carta Africana de Direitos Humanos e de Povos, que reconhecia princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e adicionava outros que tradicionalmente se tinham negado na África, como o direito de livre determinação ou o dever dos Estados de eliminar todas as formas de exploração económica estrangeira.


Mais tarde, os Estados africanos, que acordaram a Declaração de Túnis, em 6 de Novembro de 1992, afirmaram que não se pode prescrever um modelo determinado a nível universal, já que não podem se desvincular as realidades históricas e culturais de cada nação e as tradições, normas e valores de cada povo.


Em uma linha similar se pronunciam a Declaração de Bangkok, emitida por países asiáticos em 23 de Abril de 1993, e de Cairo, firmada pela Organização da Conferência Islâmica em 5 de Agosto de 1990.


Também a visão ocidental-capitalista dos direitos humanos, centrada nos direitos civis e políticos, se opôs um pouco durante a Guerra Fria, destacando no seio das Nações Unidas, ao do bloco socialista, que privilegiava os direitos económicos, sociais e culturais e a satisfação das necessidades elementares.


“A pobreza é ao mesmo tempo causa e produto das violações de direitos humanos e devido a esta dualidade a pobreza é provavelmente o mais grave dos problemas dos direitos humanos no mundo”, afirma a ONU em  mensagem de celebração da data.



De acordo com o documento, aqueles que têm seus direitos fundamentais negados têm mais probabilidade de serem pobres, e a pobreza afecta todos os direitos humanos.


“A pobreza está formada por muitos ingredientes, mas sempre se caracteriza por factores como a discriminação, o acesso desigual aos recursos e a estigmatização social e cultural”, diz o documento.



Para a ONU, ainda é raro que a pobreza seja vista “pelas lentes dos direitos humanos”. “Frequentemente (a pobreza) é percebida como algo trágico, mas inevitável e inclusive com responsabilidade daqueles que a sofrem”, afirma o texto.


A mensagem contém também um teor de crítica aos governos dos países. Segundo o texto, os governos e as autoridades, que se comprometeram por meio dos tratados internacionais de direitos humanos a fazer da pobreza uma coisa do passado, podem e devem fazer algo para combatê-la.


 “A realização dos direitos humanos, incluída a luta contra a pobreza, é um dever, não mera aspiração.”


Para a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Louise Abour, “a luta contra a pobreza, as privações e a exclusão não é uma questão de caridade e não depende de quão rico seja um país”.


A ONU  avalia que o chamamento à luta para a erradicação da pobreza deve ser respondido, não como uma obra de caridade, mas por ser uma obrigação de todos.


Eis alguns direitos previstos na  Declaração Universal dos Direitos Humanos:


-  Direito à vida

-  Direito a não ser submetido a tortura nem a penas ou tratamentos   desumanos ou degradantes

- Direito a não ser mantido em escravidão ou servidão, nem   constrangido a realizar trabalho forçado ou obrigatório


- Direito à liberdade e segurança, não podendo ser privado da sua    liberdade a não ser nos casos e nos termos previstos na  Convenção

- Direito a um processo equitativo, designadamente, a que a sua   queixa seja examinada por um tribunal independente e imparcial, num prazo razoável e com julgamento público

- Direito a não ser condenado por acto que não constituísse uma    infracção no momento em que foi cometido ou a sofrer pena mais grave do que a aplicável no momento em que a infracção foi cometida


-  Direito ao respeito da vida privada, do domicílio e da correspondência


-  Direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião

-  Direito à liberdade de reunião e de associação, incluindo o direito de fundar ou de se filiar em sindicatos


- Direito ao respeito dos seus bens


- Direito à instrução e direito dos pais a que a educação e o ensino   dos seus filhos respeitem as suas convicções religiosas e filosóficas


-  Direito a eleições livres


-  Direito a não poder ser privado de liberdade por não cumprir uma obrigação contratual 

 -Direito de circulação no território do Estado e de escolher livremente a sua residência

-  Direito a não ser expulso do território do Estado de que é    cidadão e de não ser privado de entrar nesse território


-  Direito à existência de um recurso, perante as instâncias  nacionais, de actos violadores dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção, quer esses actos sejam da responsabilidade de particulares quer do Estado 
 

Disponível em: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2009/11/50/Comemora-quinta-feira-Dia-Internacional-dos-Direitos-Humanos,d4c91f1b-e669-4e16-89fc-c6cdc5a944f9.html

Dia Internacional contra a CORRUPÇÃO.

Que vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.

E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, de onde nasceu.

O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte. Continuamente vai girando o vento e volta fazendo os seus circuitos.

Todas essas coisas se cansam tanto, que ninguém o pode declarar; Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir.

O que foi isso é o que há de ser, e o que se fez isso se tornará a fazer. De modo que nada há novo debaixo do sol.

(Livro do Eclesiastes ou Pregador cap.1:3-9)

O trecho acima, do livro bíblico de Eclesiastes, nos revela a dimensão da visão humana quanto à essência de sua existência cotidiana. As coisas,dizem, são assim porque sempre foram assim,é a cristalização de determinada atitude que se autojustifica .Um exemplo claro podemos tirar do recente escândalo de corrupção envolvendo deputados da Câmara Legislativa de Brasília,o poder executivo através do Governador José Roberto Arruda e,até ,um conselheiro do TCDF.As imagens falam por si,ao contrário do que pensa o senhor Lula.É lugar comum em momentos como este comentários do tipo "É assim mesmo,todos roubam"ou "a corrupção é endêmica" .

Não podemos considerar que a corrupção seja parte inerente ao processo político/administrativo ,fazendo isso estaremos dando carta branca para que a corrupção seja perpetuada em nossas instituições.Como acreditar no futuro da nação se todos desrespeitam a constituição(Renato Russo),desrespeitam a própria cidadania?

Em 2005 assistimos as mesmas cenas no Governo Federal,o chamado mensalão,onde se compravam apoio político com farta distribuição de dinheiro.Hoje vivenciamos o mesmo encadeamento de ações vexatórias.É mais ou menos como diz o texto biblíco "O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer. de modo que nada há novo debaixo do sol".Maquiavel bem colocou essa questão onde muitos erram a nenhum se castiga e quando as faltas pequenas são punidas, as grandes e graves são premiadas.

A questão é que o mau exemplo vem dos detentores do poder político. Dos envolvidos no esquema do mensalão em 2005 só três deputados foram cassados. O restante se safou. Conforme publicado no jornal folha de S.Paulo de 4 de outubro de 2009 Governadores e congressistas que tiveram seus mandatos cassados em decisões recentes da Justiça Eleitoral estão engajados para voltar à vida pública em 2010.Eles chegam à disputa não só competitivos,mas alguns até com favoritismo.O senador Expedito Júnior (RO) encarna um exemplo clássico.Teve o seu mandato cassado pelo TSE(Tribunal Superior Eleitoral) sob as acusações de abuso de poder econômico e compra de votos, mas se mantém no cargo graças ao presidente do Senado- José Sarney(PMDF-AP) avisou que só o tirará da função quando esgotadas todas as possibilidades de recurso.

O que nos falta é justamente deixar o vezo de acreditar que tudo se resolve com a delação e a consequente punição transformando esses eventos em espetáculos públicos.A ação necessária se dá na extirpação do desavergonhado “jeitinho” de resolvermos as coisas.A ética é construída no dia a dia no momento em que pensarmos no que nossa atitude pode prejudicar a outros.É certo que vivemos em uma sociedade competitiva,mas isso não nos dá o direito de burlarmos as leis ou realizar atos obscuros para galgar sucesso.O presidente da república chegou a dizer em evento hoje que o corrupto tem cara de anjo,concordo,mas verifique ,desconfie e procure saber quem são aqueles que querem lidar com a res publica.A fiscalização e a informação são as barreiras à corrupção.

Oposição e o congresso dos Ratos

Oposição no Brasil democrático só tivemos no período FHC quando PT e asseclas,liderados pelo senhor Lula,apurrinhavam o governo.E o faziam com competência e maestria. E hoje o que aconteceu com a oposição?Onde estão as mobilizações, os gritos inflamados e histriônicos,lembrei-me de Heloísa Helena e o famoso "balcão de negócios sujos do governo".Onde está a indignação que nos faziam levantar da poltrona e querer sair a rua.
Há oposição,mas não com a mesma maestria daquele período.É uma oposição que parece perdida,dividida,receosa, e sem rumo.O que falta são novas lideranças políticas para dar um vigor ao cenário político.Precisa-se de novos quadros com uma visão aguerrida e pronta para o embate.
A oposição brasileira de hoje me faz lembrar uma das fábulas de La Fontaine:O Grande Congresso dos Ratos.Resumidamente havia um gato de nome Miciful que era o terror dos ratos,ja havia matado muitos ratos.E,continua a fábula, certa noite, o inimigo dos ratos deu uma trégua, resolveu passear pelos telhados atrás de uma gata,com a qual ficou entretido em longo colóquio.Os ratos que sobraram resolveram se reunir em congresso para discutir o que fazer.O líder dos ratos,fazendo jus à sua posição, opinou :Por motivo de cautela,julgo ser preciso prender, sem demora,um guizo no pescoço de Miciful;assim,quando ele sair à caça, todos nós vamos poder ouvir e fugir do perigo!Idéia genial,acordaram os ratos,mas quem seria o corajoso a colocar o guizo no pescoço do gato?E assim, um a um os ratos foram desistindo da empreitada e o congresso foi dissolvido.
É, nobre leitor, assim tem sido o congresso da oposição no país Brasil.Quem vai se arriscar. Quem vai querer ir para rua levantar Bandeira contra um presidente com alta popularidade interna e externa?
Alon Feuerwerker no correio brasiliense assim postou:Por que a oposição brasileira não consegue fazer oposição?Talvez porque os interesses que mais facilmente defenderia estão bem contemplados no governo Lula.Incluem-se aí os felizardos que arremataram as estatais na era FHC,os bancos, as empreiteiras.Também por isso, fazer oposição de verdade ao governo do PT não seria trivial.Exigiria um ajuste estratégico,aproximar-se de demandas que se opõem às dominantes.Daria trabalho,implicaria sacrifício.
Precisamos de opositores,quem se habilita?Quem será o corajoso a colocar o guizo no pescoço do gato?




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