MORRE MILLÔR FERNANDES.

Caramba , a cada ano temos perdido os grandes gênios das artes, mas quem disse que somos eternos. Claro que a obra e as influências destes ilustres permanecerão.


Millôr Fernandes foi e continuará sendo um educador

Cartunista deu aos brasileiros lições de autonomia, contestação, espírito democrático, senso crítico e amor à vida.

Paulo Freire foi secretário de Educação da cidade de São Paulo no governo da mulher, nordestina, paraibana, assistente social, militante dos movimentos populares, Luiza Erundina. Nesta eleição nem a ‘iniciante’ cúpula de seu partido tinha apoiado Erundina de primeira hora, mas ela, contra todos os prognósticos, venceu as prévias e depois as eleições.

Paulo Freire falava, aos quatro cantos, que Erundina era, antes de tudo, até mesmo que política, uma educadora. Uma educadora política. E é nos termos de Paulo Freire que digo: Millôr Fernandes foi e continuará sendo, acima de tudo, um educador.

Com Millôr, e outros cartunistas, eu e milhões de outros brasileiros fomos educados para a autonomia, para a contestação, para o espírito democrático, para a participação política, para o senso crítico, para o amor ao Brasil, para a vida. Millôr, com seus traços e textos, fazia muito mais do que a gente rir. Millôr fazia as pessoas pensarem e gostarem do conhecimento e da análise crítica.

Sem medo de errar afirmo que Millôr, Henfil, Veríssimo, Fernando Sabino e tantos outros fizeram mais pela educação de várias gerações do que a maioria das escolas. Enquanto as escolas optaram pelo ensino, deixando a educação de lado, fomos sendo educados pela vida, pela sociedade, pelas nossas relações.

A Argentina foi um país que conseguiu entender isso e valoriza muito Quino, o ‘pai’ da Mafalda. Em toda a Argentina, Mafalda, personagem de Quino, pode ser encontrada em livros, roupas, objetos, cartazes, sites, jornais, etc. No Brasil parece que ainda não entendemos isso. Já perdemos Henfil, outro gênio do humor e da educação contestadora. E a cada nova geração se perde mais a sua lembrança. Não vemos a Graúna, ou o Fradim, personagens do Henfil, em todo canto do Brasil, como ocorre com a Mafalda na Argentina. Agora se vai outro gênio, Millôr. E nós, brasileiros, como deixaremos vivo seu pensamento, sua obra? Como possibilitaremos que as novas gerações tenham contato com o melhor que o humor brasileiro já produziu? Cometeremos o mesmo erro que cometemos com o Henfil? 

Vai Millôr. Vai tranquilo. Nós, educadores, sentiremos muito a sua falta, mas sabemos o quanto você foi importante para a nossa formação e de boa parte de nossos educandos. Vai com a certeza de que “se isso tudo não foi um pesadelo, este país vai mal”. Vai sabendo que você deixou mais fácil a vida de muita gente, pois seus textos sempre ensinaram que “viver é desenhar sem borracha”, e teve quem quis fazer melhor. Vai encontrar o Henfil e dar ao Céu o ‘Pasquim’. Vai em paz. Aqui na Terra lamentamos a falta de herdeiros intelectuais para ocupar seu espaço na educação das novas gerações.

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